Restaurante árabe: custo da esfiha, CMV e lucro (guia do dono)
Na esfiharia a conta é de volume e mix. Veja como calcular o custo da esfiha pelo lote de massa, o preço por item e onde o lucro escapa.

Neste artigo
A gestão de restaurante árabe tem uma particularidade: você produz quase tudo em casa (massa, pastas, recheios) e vende muitos itens pequenos. Esfiha, quibe, kafta e coalhada seca têm ticket baixo, então um erro de centavos vira prejuízo no fim do mês.
Este guia mostra a conta do custo da esfiha pelo lote, o preço de cada item, o efeito do mix e o fechamento do dia. Todos os números de custo são exemplos ilustrativos: troque pelos seus. Para entender o conceito por trás, veja como calcular o CMV do restaurante.
Quanto custa fazer uma esfiha?
O custo de uma esfiha é o custo do lote de massa dividido pelas unidades, somado ao recheio, ao rateio do forno, à embalagem e à perda. No exemplo abaixo, ela custa R$ 2,78. É a conta que a maioria das esfiharias não faz por escrito.
- Custo do lote de massa (farinha, fermento, óleo, sal, açúcar)
- R$ 36,00
- Unidades que saem do lote
- 40
- Massa por esfiha (R$ 36,00 ÷ 40)
- R$ 0,90
- Recheio por esfiha (carne, tomate, cebola, temperos)
- + R$ 1,50
- Rateio de gás ou energia do forno
- + R$ 0,10
- Embalagem
- + R$ 0,15
- Perda de 5% (massa e recheio que sobram)
- + R$ 0,13
- Custo por esfiha
- R$ 2,78
Para um CMV de 35%, o preço é R$ 2,78 ÷ 0,35 = R$ 7,94. Para 30%, R$ 9,27. Os valores do lote, do recheio e da perda são hipóteses do exemplo.
Repare no tamanho de cada parte. O recheio pesa mais que a massa, mas o forno e a perda, que quase ninguém anota, somam perto de 10% do custo.
- Massa32,4%
- Recheio53,9%
- Forno (rateio)3,6%
- Embalagem5,4%
- Perda4,7%
Como fazer a ficha técnica de um item de produção própria?
Pese e anote o lote inteiro, conte quantas unidades saem e divida. A ficha técnica de um item de produção própria é o mesmo raciocínio de um prato, só que o primeiro ingrediente é a massa ou o recheio que você mesmo faz.
- 1Faça o lote como de costume e anote tudo
Farinha, fermento, óleo, sal, açúcar: pese e some o custo de cada um, com o preço da última compra.
- 2Conte as unidades que saíram
Use o resultado real, não o da receita. Se o lote rende 40 em um dia e 37 em outro, use a média.
- 3Divida o custo do lote pelas unidades
Esse é o custo da massa por esfiha. Faça igual com o recheio, por unidade.
- 4Rateie forno e embalagem
Gás ou energia do mês divididos pelas unidades assadas, mais a embalagem de cada item.
- 5Some a perda e divida pelo CMV desejado
Aplique a perda observada (massa que sobra, recheio que passa do ponto) e chegue ao preço.
Quer testar com os seus números? A calculadora abaixo vem com uma porção de 6 esfihas abertas de carne (valores ilustrativos). Troque o preço, o custo de cada item e a perda, e veja o CMV mudar na hora.
Custo da porção de esfihas
Porção com 6 esfihas abertas de carne. Coloque o custo de cada item no prato e a perda (aparas, rendimento).
| Ingrediente | Custo no prato | Perda | |
|---|---|---|---|
| R$ | % | ||
| R$ | % | ||
| R$ | % | ||
| R$ | % |
Valores de exemplo, ilustrativos: troque pelos seus custos de compra. A perda transforma o custo bruto em custo útil (ex.: 25% de perda em um peixe faz R$ 15 virarem R$ 20 de custo real).
Como o mix de itens mexe no lucro?
O mix muda o lucro porque cada família de itens tem um custo e um papel diferente. Salgados giram rápido e custam pouco por unidade. Pratos com carne pesam no custo, e os doces têm outra margem.
Por isso o CMV médio da casa engana. Um quibe que vende o dia todo pode estar com margem boa, enquanto a kafta, mais cara de fazer, empurra a média para cima. A conta precisa ser por item.
- Esfiha de carneR$ 2,78
- Quibe fritoR$ 3,20
- Pasta com pão (porção)R$ 3,00
- Doce de massa folhadaR$ 3,60
- Espetinho de kaftaR$ 4,50
Com o custo por item na mão, o preço sugerido sai de uma divisão. A tabela usa um CMV de 35%, que é só uma referência que muita gente usa; ela varia por cozinha e por estratégia.
| Item | Custo (ilustrativo) | Preço para CMV de 35% | Sobra bruta por unidade |
|---|---|---|---|
| Esfiha de carne | R$ 2,78 | R$ 7,94 | R$ 5,16 |
| Quibe frito | R$ 3,20 | R$ 9,14 | R$ 5,94 |
| Pasta com pão (porção) | R$ 3,00 | R$ 8,57 | R$ 5,57 |
| Doce de massa folhada | R$ 3,60 | R$ 10,29 | R$ 6,69 |
| Espetinho de kafta | R$ 4,50 | R$ 12,86 | R$ 8,36 |
Vale mais produzir a massa ou comprar pronta?
Não existe resposta única: depende do custo total de cada caminho, não só do preço da massa. Produzir parece mais barato porque a farinha custa pouco, mas há mão de obra, forno, perda e tempo de quem faz.
Para comparar sem se enganar, calcule o custo por unidade dos dois jeitos. Na produção própria, some o lote, o rateio do forno, a hora de quem prepara (salário e encargos divididos pelas horas e pelas unidades) e a perda. Na massa pronta, use o preço da unidade já com frete, e inclua a perda também.
Compare o resultado e olhe o que não está na conta: padrão do sabor, dependência de fornecedor e espaço na cozinha. Se a diferença for de centavos, o critério pode ser outro. Só decida depois de ter o número dos dois.
Como controlar o desperdício e a produção por horário?
Produza pelo histórico de venda de cada horário, não pelo palpite. Anote por duas ou três semanas quanto saiu de cada item em cada faixa (almoço, tarde, jantar) e monte uma tabela de produção por dia da semana.
O desperdício na cozinha árabe costuma vir de dois lugares: massa aberta que não foi assada e recheio que ficou tempo demais na bancada. Uma regra simples é preparar em lotes menores nos horários de pico, em vez de um lote grande de manhã.
O lote grande de manhã vira sobra à noite. Use o histórico de venda por horário.
Gás e energia são reais. Sem rateio, a ficha técnica mostra um custo menor que o verdadeiro.
A receita diz 40, a bancada entrega 37. A conta tem que usar o que sai de fato.
A média esconde o item caro. Calcule por item e por família (salgado, prato, doce).
Registre também o que sobrou e foi descartado. Esse número, somado semana a semana, mostra se a produção está calibrada ou se está jogando dinheiro fora.
Onde sobra mais: balcão, delivery ou encomenda?
Costuma sobrar mais no balcão, porque não há comissão de app nem entrega. Mas a resposta certa é a do seu mês, canal por canal. Delivery e encomenda têm custos e prazos próprios.
No iFood, conferido em 21/10/2026, o Plano Básico cobra 12% de comissão mais 3,2% de pagamento online, e o Plano Entrega cobra 23% mais 3,2%. De cada R$ 100 pagos pelo app, sobram R$ 84,80 no Básico e R$ 73,80 no Entrega, ainda antes dos custos. Como o ticket da esfiha é baixo, essa fatia pesa muito. A conta completa está em taxa do iFood.
Encomenda e evento (festas, escritórios, cento de salgados) fogem do app e, em geral, têm preço combinado. Aqui o risco é outro: comprar insumo e produzir antes de receber. Calcule o custo do cento como qualquer item, deixe a margem no orçamento e combine o sinal com o cliente.
Por isso vale lançar a venda por canal, todos os dias. Sem essa separação, o balcão lucrativo esconde o delivery que não paga a conta, e você descobre no fim do mês.
Como fazer o fechamento do dia na esfiharia?
Feche o caixa todo dia, no mesmo horário e na mesma ordem: vendas por canal, notas do dia, sangria e diferença de caixa. Leva poucos minutos e evita o susto de descobrir o rombo semanas depois.
- Venda por canal: balcão (dinheiro, Pix, cartão), apps de delivery e encomendas.
- Notas e gastos do dia: compras de insumo, gás, embalagem, tudo com a nota guardada.
- Sangria: quanto saiu do caixa e para quê.
- Conferência: o que entrou menos o que saiu bate com o dinheiro que está na gaveta?
O Tá no Caixa faz esse fechamento num formulário só. Ele não é PDV nem cardápio digital: mostra quanto sobrou, com o que entrou, o que saiu e o ponto de equilíbrio. Nos prints de demonstração há um exemplo de restaurante de cozinha árabe, com dados de exemplo.

Sobre tributos e enquadramento da esfiharia, fale com o seu contador. O que está neste guia é a conta de custo e de caixa, não orientação fiscal. Se ainda está escolhendo ferramenta, veja o guia de sistema para restaurante.
Perguntas frequentes sobre a gestão da esfiharia
Quanto custa fazer uma esfiha?
Depende do seu lote e do recheio: divida o custo do lote de massa pelas unidades e some recheio, forno, embalagem e perda. No exemplo ilustrativo deste guia, o custo é de R$ 2,78 por esfiha. Refaça com as suas compras.
Qual a margem de lucro de uma esfiharia?
Não há margem única. O que existe é a sobra depois de insumos, folha, aluguel, taxas e impostos, que varia por loja e por canal. Calcule a sua pelo fechamento do mês: o que entrou menos tudo o que saiu.
Vale mais produzir ou comprar a massa pronta?
Depende do custo total de cada caminho. Compare o custo por unidade da massa própria (lote, forno, mão de obra e perda) com o preço da massa pronta já com frete. Só decida com os dois números.
Como controlar o desperdício na esfiharia?
Produza pelo histórico de venda por horário e em lotes menores nos picos. Registre também a sobra descartada todo dia: somada na semana, ela mostra se a produção está calibrada.
Qual CMV usar para precificar a esfiha?
O CMV é uma decisão sua. Muita gente usa uma faixa de referência que varia por cozinha, mas o certo é calcular o custo real do item e dividir pelo CMV que cobre as suas despesas e deixa lucro.
Fontes e como conferimos
Checklist de fechamento de caixa do dia
Um passo a passo de 10 minutos para fechar o dia sabendo quanto entrou, quanto saiu e quanto sobrou.
- Vendas do dia por canal: balcão, mesa, delivery próprio e apps
- Conferência de caixa, maquininha e Pix
- Notas e boletos do dia, para ninguém perder vencimento